Considero esta a “4ªAcontecelagem” (projetada 21, 22 e 23 de novembro (mudou para 12-13-14 Dezembro); sexta até domingo). A primeira (Florianópolis, 2007) e a segunda (Santiago, 2007) e nos ensinaram que nossos encontros podem ser muito prazerosos. Portanto, alegria e antecipações. A terceira (IOC, Rio-2007) nos mostrou que nossas platéias serão raras no meio científico tradicional.
Os primeiros Acontecidos, em Florianópolis, foram transcritos e adaptados por Gustavo, submetidos, como um livro, à Editora da UFSC. Falam de uma Biologia muito necessária, um resgate precioso. Os segundos e terceiros Acontecidos estão parcialmente gravados em som e imagem, muito desorganizados, mas ainda disponíveis para assistir e, em parte, transcrever, selecionar acontecidos.
Por enquanto, quero registrar apenas uma idéia agregadora. Creio que é uma idéia irmã do teatro de Vitor Pordeus. Poderemos, futuramente, incorporar muitas outras pessoas neste projeto, mas no momento, penso em realizarmos reuniões com os grupos do LIB e do Laboratório da Cláudia, acrescentados de Vitor Pordeus (Rio) e Gustavo Ramos (Florianópolis), nos dias 21, 22 e 23 de novembro (sexta até domingo).
Face a um momento no qual a medida de todas as coisas parece ser a eficácia das empresas, creio que poderíamos considerar a ineficácia da Imunologia em termos amplos. A ineficácia teórica, a ausência de uma teoria satisfatória sobre a atividade imunológica, mas também a ineficácia prática, a grande dificuldade em traduzir um cabedal imenso de conhecimentos experimentais em resultados práticos. A ineficácia da visão tradicional (clonal), mas também da visão (sistêmico/histórica) que propomos, de alcançar esses resultados.
Penso em esclarecer diferenças entre “usos” da Imunologia e a Imunologia propriamente dita sem que isto envolva qualquer menosprezo por estes “usos”: eu mesmo acabo de ser salvo por um teste imunológico (a dosagem do PSA no soro) cuja natureza, embora em grande parte ainda desconhecida, tem como conseqüência prática importante, o diagnóstico do câncer de próstata. Transplantes de órgãos e transfusões de sangue estão na mesma categoria. Para a maioria da população “leiga”, a Imunologia consiste no desenvolvimento desses “usos” práticos.
Penso também no conteúdo hermético de discussões no meio científico. O “anafalbetismo científico” (scientific illiteracy) atinge não só o público leigo, mas também a todos nós. A Física que estudei é a Física dos anos 1950, portanto, sou um analfabeto em Física. Astrofísicos não sabem a diferença entre DNA e RNA e zoólogos são ignorantes de botânica. Penso, portanto, em delinearmos um patamar de conversas que poderiam ser divulgadas entre não-especialistas.
“Imunologia para mães” e “Imunologia para idosos” foram dois títulos que pensei para conjuntos de idéias destinados a ajudar mães e pessoas idosas a entender a imunologia de uma forma “não militar”. Uma dívida com a dúvida. Textos, imagens, gravações baseadas na confiança e que visassem, primariamente, a internet, mas que podem também resultar em dois livros ao estilo do “Guia Incompleto de Imunobiologia” (1993), quinze anos depois.
Carinhos 27/10/08/Nelson
terça-feira, 4 de novembro de 2008
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